Crônica de uma Morte Anunciada – Gabriel García Márquez
janeiro 26, 2026"Nunca houve morte mais anunciada. (p.68)" — E, no entanto, ninguém foi capaz de avisar a vítima.
Aqui sabemos o final da história desde o primeiro instante da leitura: sabemos que o protagonista da história, Santiago Nasar, será morto. O que ainda não sabemos é COMO — ou mesmo QUAL foi a motivação que desencadeou tal tragédia.
"No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30m da manhã
para esperar o navio em que chegava o bispo."
O livro é narrado por um amigo de infância de Santiago Nasar, como uma espécie de matéria jornalística, construída a partir dos relados feitos pela população de Riohacha (um vilarejo na Colômbia), 27 anos depois daquela segunda-feira fatídica em que Santiago Nasar foi brutalmente assassinado. O leitor é guiado enquanto refaz os passos de Santiago Nasar naquela manhã, sob o ponto de vista das pessoas que estiveram próximas ou cruzaram seu caminho no último dia de sua vida.
"As muitas pessoas que encontrou desde que saiu de casa às 6h05m até que
foi retalhado como um porco, uma hora depois, lembravam-se
dele um pouco sonolento e de bom humor. (p.8)"
Santiago Nasar era um jovem de 21 anos, de descendência árabe, esbelto, bonito e dono de uma boa fortuna. Na noite anterior, participou da festança de casamento de Ângela Vicário e Bayardo San Román, mas a moça fora devolvida na mesma noite à casa dos pais porque o marido descobriu que ela não era virgem. Agora, a cidade inteira sabia que os irmãos Pedro e Pablo Vicário estavam à espera de Santiago Nasar para matá-lo e, assim lavar a honra da irmã.
Fui tomada por muitos questionamentos e reflexões ao longo da leitura. Como alguém pode deter de informação tão importante e não avisar a vitima? Como essas pessoas conseguiram ser tão frias e insensíveis a ponto de aguardarem ansiosamente para apreciarem ao espetáculo já muito anunciado. Claro, houve personagens que tentaram evitar a tragédia, mas foram impedidos por desencontros e acasos. Na minha opinião, essa morte teve vários culpados. Outra grande questão do livro é que talvez o pobre do Santiago Nasar nem fosse, de fato, responsável pelo que o acusavam.


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