Misery: Louca Obsessão — Stephen King [Resenha]
março 13, 2026
Perturbador do inicio ao fim. Esse livro é intenso, angustiante e marcante.
Aqui, o leitor é transportado para a mente do protagonista, Paul Sheldon, que passa a viver seu pior pesadelo nas mãos de uma psicopata INFERNAL. Tio King conseguiu dar vida a uma das personagens mais aterrorizantes com que já me deparei: Annie Wilkes é completamente IN-SA-NA, repugnante e verdadeiramente perversa. Misery: Louca Obsessão é uma leitura extremamente viciante, e, ao mesmo tempo torturante, não por ser ruim (longe disso), mas pelo constante clima de tensão, onde a frase: "nada está tão ruim que não possa piorar", nunca fez tanto sentido.
A narrativa decorre de forma vívida, em terceira pessoa, pelos olhos de um escritor famoso, que irá passar pela pior experiência de sua vida. Paul Sheldon é um renomado escritor que se tornou famoso principalmente pelos seus romances ambientados na Inglaterra do século XIX, retratando a turbulenta saga da heroína Misery Chastain, uma jovem órfã que ascendera socialmente até se casar com um nobre.
(Eu imagino essa saga com uma pegada estilo os livros dos Bridgertons).
Acontece que Paul não quer ser conhecido somente por conta desses livros, talvez por isso ele tenha escrito um desfecho polêmico para a série, e acredita ter, finalmente, se libertado de Misery.
Com "O Filho de Misery" prester a ser lançado mundialmente, Paul celebra não apenas o último livro da série Misery, como também a finalização de seu novo livro: "Carros Velozes", um romance contemporâneo sobre um ladrão de carros, que tem uma pegada completamente diferente dos livros de Misery. Após algumas garrafas de Dom Pérignon, em comemoração aos seus dois grandes feitos, Paul pega a única cópia do manuscrito de "Carros Velozes" e dirige para o oeste, em direção a Vegas ou quem sabe até Los Angeles. Ele estava muito feliz e queria curtir o momento. Quando, de repente, enquanto passava pelas montanhas geladas do Colorado, próximo à pequena cidade de Sidewinder, em meio a uma grande tempestade, Paul sofre um grave acidente.
Paul é então "resgatado" por sua autointitulada: fã número um. Ele ainda não sabia, mas seu pesadelo estava apenas começando. Annie Wilkes é uma ex-enfermeira, louca e completamente obcecada pelos livros da série Misery. Annie é verdadeiramente má e vai submeter Paul a incansáveis dias de pavor e dor. Uma das personagens mais odiosas da face da terra.
Ele descobrira três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após ter emergido da nuvem escura. A primeira era que Annie Wilkes tinha bastante Novril (na verdade, tinha muitos remédios de vários tipos). A segunda era que ela era viciada em Novril. A terceira era que Annie Wilkes era perigosamente louca.
─ pág. 17
No início, Paul oscilava entre trevas, dor e névoa, num estado de semiconsciência. Embora a dor fosse constante, ela as vezes sumia em uma trégua incerta que ele supunha ser alívio. Não demora muito para Paul perceber que tinha se metido em uma encrenca dos diabos. Pois a sua enfermeira/carcereira/fã número um era perigosamente louca e não gostava de ser contrariada. Annie é uma personagem bastante complexa, ela é como uma bomba-relógio sempre prestes a explodir. Vivemos uma tensão junto com Paul, incapazes de saber quando viria o próximo ataque.
Estava perto do topo da Grande Divisa continental, no meio do inverno com uma mulher ruim do juízo, que o alimentara por via intravenosa quando ele estava inconsciente, que tinha um suprimento aparentemente ilimitado de drogas, uma mulher que não contara a ninguém que ele estava ali.
─ pág. 28
Paul será forçado a fazer muitas coisas, dentre elas, escrever um novo romance para sua fã número um. Confesso que esses eram os únicos momentos da leitura em que era possível tomar um fôlego, e sentir um pouco de alívio (se é que podemos chamar assim). Mas logo Annie aparecia e bastava uma pequena contrariedade para Paul sofrer as consequências. Essa mulher conseguiu despertar em mim uma raiva gigante.
Chega um momento da história que a gente só quer que Paul finalmente descanse. As coisas vão ficando tão pesadas, que eu só queria que alguém acabasse com a tortura do Paul. Que ele saísse dessa situação de uma forma ou de outra. Eu só queria que esse inferno que eu estava vivendo junto com o protagonista acabasse. Mas o que o mestre King faz? Ele taca mais lenha na fogueira. O negócio toma uma proporção gi-gan-tes-ca, então te prepara porque tem muitas cenas fortes, algumas verdadeiramente sangrentas, outras extremamente nauseantes.
A narrativa do Stephen King tem o poder de atingir profundamente seus leitores através das palavras. E esse é um dos motivos que fazem dele um dos meus autores favoritos 🎔. A ambientação, os personagens e todas as situações são extremamente vívidas e bem descritas. A experiência da leitura de Misery se compara a um pesadelo, onde o tempo inteiro estamos conscientes, mas mesmo assim somos atingidos e sentimos todos os medos, anseios e o completo desespero que Paul está passando nas mãos de uma pessoa insana. Por mais que temos o poder de interromper a leitura a qualquer momento, nossa mente sempre volta a reviver as cenas inúmeras vezes. Onde a única solução para se livrar do pesadelo é chegar ao final da história.
Ahh, não poderia deixar de comentar, mas o livro tem alguns fatos curiosos. Por exemplo, a cidade fictícia de Sidewinder, no Colorado, é vizinha do Hotel Overlook do livro O Iluminado. O livro faz menção a um certo zelador desse hotel, que surtou durante a nevasca... Enfim, Misery: Louca Obsessão, é uma leitura muito viciante, quase impossível de largar, e ao mesmo tempo perturbadora. Para quem gosta de livros do gênero, vale super a pena ter essa experiência. Também gravei uma Vídeo Resenha, igualmente sem spoiler, confiram e me contem o que acharam.
Misery: Louca Obsessão
Título original: Misery
Autor: Stephen King
Editora: Suma
Ano: 2014 | Publicação: 1987
Páginas: 326
ISBN: 9788581052144
Dimensões: 22.8 x 15.8 cm
Gênero: Suspense, Terror
Avaliação:
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